Susan Meiselas (1948- )
Americana e fotógrafa documental, um de seus trabalhos mais conhecidos é Nicarágua: mediações (1978-1982).
Carol and JoJo at Rockaway Beach, 1978
Análise: A foto de Susan Meiselas escolhida faz parte de um conjunto de fotografias de meninas da vizinhança da autora, acompanhando elas ao longo de vários anos. O que mais chama atenção e o motivo da escolha da foto é o contraste entre o cabelo e as roupas das meninas mais escuros e o resto mais claro, fazendo com que em um primeiro momento todo o fundo quase se misture e o foco vá para as meninas em primeiro plano que também possuem um contraste maior entre os tons, mas a foto é composta por várias camadas que ao olhar novamente também chamam muita atenção, com a garota brincando na areia, o mar e os barcos ao fundo que não estão em destaque tanto por estar em último planto quanto pelos tons mais claros.
Carnival Strippers
1972-1975
Análise: Susan Meiselas realizou, no início dos anos 70, o projeto “Carnival Strippers”, no qual ela acompanhou e fotografou mulheres que faziam apresentações de striptease em festivais de pequenas cidades nos Estados Unidos. A imagem em questão, tirada em Vermont em 1974, vertical e bem centralizada, chama atenção para dois planos/pontos de vista: a parte inferior do corpo de uma mulher em um plano, semi-vestida e iluminada para o espetáculo, em destaque sobre um palco, com o foco em se apresentar, virada para o público. No outro, um homem a observa das sombras, totalmente vestido e despercebido. Sua presença, embora no fundo, é destacada ao ser mostrado por completo; as pernas da mulher, em contrapartida, é um artefato de exibição.
Marcel Gautherot (1910-1996)
Francês estabelecido no Rio e fotojornalista com destaque em fotografia arquitetônica, sua obra completa conta com cerca de 25 mil imagens com temáticas diversas.
(Foto 1) Detalhe da folha de carnaíba, 1942
(Foto 2) Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida,
com a Esplanada dos Ministérios ao fundo, década de 1960
Análise: A foto de Marcel Gautherot em questão me chamou atenção pelas estratégias utilizadas: a não revelação de todo o objeto fotografado e o realce do contraste claro x escuro. Além de essas estratégias naturalmente contribuírem para atrair o olhar de quem observa a obra, também levaram a uma confusão da foto de uma planta com um dos prédios de Brasília - foco de grande parte de seu acervo -, a deixando ainda mais intrigante.
Candango, Brasília, DF. Brasil, 1960
Análise: Essa fotografia saltou imediatamente à minha atenção enquanto navegava por seus trabalhos. Sendo natural de Brasília, suas obras retratando a construção da capital tiveram um grande impacto sobre mim, em especial a maneira com que ele mostra o aspecto humano do trabalho, com foco na ação braçal, e não no trabalho das máquinas. Além disso, essa fotografia retrata um diálogo relevante desde a construção da cidade até os dias de hoje; a cidade para as pessoas. Milhares de trabalhadores de classe baixa foram contratados de diferentes regiões do país para erguer uma metrópole da qual eles não poderiam usufruir, pelo alto luxo e elevado perfil de seu planejamento. Ademais, ela foi projetada para abarcar o crescente número de automóveis pessoais dos brasileiros, ao invés de integrar uma estrutura que favoreceria os pedestres e a vida urbana.
Claudia Andujar (1931- )
Cláudia Andujar é uma fotógrafa e ativista que nasceu na Suíça e viveu sua adolescência no contexto da segunda guerra mundial, por esse motivo fugiu com sua mãe para o Estados Unidos. Chegando ao Brasil aos 25 anos de idade e sem falar ao menos uma palavra em português, começou a usar a fotografia para se comunicar com as pessoas. Para ela a fotografia revela quem são as pessoas. No Brasil, Cláudia se dedicou a conhecer e expor a luta dos povos originais do país. Seus trabalhos se dividem em três partes: a terra, o homem e o conflito. No primeiro momento ela tenta entender o local, no segundo quem são as pessoas que vivem nesse local e como elas se relacionam com o espaço e no terceiro, os conflitos gerados quando há intervenção de outras pessoas no espaço que não é originalmente delas.
Yanomami (da série: A casa)
Data: 1974-76; Técnica: fotografia p&b; Dimensões: 37,4 x 48,8 cm
Doação do artista por intermédio do Clube de Colecionadores de Fotografia MAM-SP
Número de tombo: 2002.157
Análise: À primeira vista, o que me chamou atenção, foi o espaço vazio e escuro ao redor da foto, isso faz com que a cena fotografada fique com um foco muito grande. Na fotografia é possível ver um comportamento cultural dos povos originais do Brasil: o abraço; Que retrata o quão forte é a união entre eles. A pele e o contato muito grande com um certo calor humano, possivelmente pela afetividade envolvida, também são evidenciados. Outro fator interessante é o destaque das linhas curvas, tanto pela posição como eles estão sentados quanto na forma como os braços estão entrelaçados. Também é possível perceber o formato de um coração na forma como se dispõe a parte clara.
Exposição Claudia Andujar, a luta Yanomami na Fundação Cartier, 2020
Análise: A obra em questão faz parte do acervo da Exposição Claudia Andujar, a luta Yanomami, na Fundação Cartier ( 2020), capturando diversos aspectos da cultura desse povo. A fotografia se destaca por suas listras brilhantes de luz e elementos móveis borrados. Segundo detalhes técnicos, Claudia usa também múltiplas exposições, para sobrepor várias cenas no mesmo quadro, sugerindo a presença de muitas pessoas e a conexão espiritual que elas compartilham - o que traz profundidade visual e simbólica à imagem.
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